Brasil, o país dos feriados. Será?

Enquanto você trabalha, aguardando o terceiro feriado em menos de um mês, já deve ter ouvido – e ainda ouvirá durante o ano – que o Brasil é o país dos feriados.

É sempre assim. Enquanto muitos comemoram mais um fim de semana prolongado, há quem torça o nariz (ao menos no discurso oficial). Na maioria das vezes, as críticas se fundamentam nos argumentos de que o alto número de feriados explicaria a baixa produtividade do país ou até mesmo uma certa aversão do brasileiro ao trabalho.

Em favor dos que reclamam, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) calcula que os feriados brasileiros em 2017 são os responsáveis por um prejuízo de R$ 10,5 bilhões ao varejo.

Mas será que o Brasil é realmente o país dos feriados?

Segundo um levantamento feito pela consultoria Mercer, que contabiliza apenas os feriados nacionais de cada país analisado, o Brasil está longe de ser o campeão mundial em dias de ócio. Na verdade, não ganhamos esse título nem na América do Sul.

Empatados na primeira posição com o maior número de feriados por ano estão Índia e Colômbia, com 18 dias oficiais de folga. A segunda posição é dividida entre Argentina, Japão, Líbano, Coréia do Sul e Tailândia, com 16. A medalha de bronze é do Chile, com 15 dias livres.

O Brasil possui 12 dias para o descanso, o mesmo que África do Sul e Peru e um total semelhante a países como Canadá, França, Itália e Suécia, que contabilizam 11 feriados cada.

Os EUA, que são comumente citados pelos brasileiros como exemplo de nação que descansa pouco, possui 10 dias off. Entretanto, se há um país que merece ser lembrado como modelo pelos escassos dias livres é o vizinho deles, o México. Por lá só se descansam 7 dias ao ano.

Mas existem ainda outras ponderações. Para quem acha que o alto número de feriados é um indicativo de corpo mole do brasileiro em relação à labuta, é importante frisar que tanto Coréia do Sul quanto Japão, nações conhecidas pelo apego ao trabalho, estão a frente do Brasil no ranking de feriados nacionais. No Japão, inclusive, acredita-se que os dias sem trabalho ajudam a estimular o consumo da população.

Outro ponto levantado pelos críticos do alto número de feriados brasileiros é o da produtividade. Sobre isso, outros exemplos contrariam essa hipótese. Em uma lista de 35 países feita pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o menos produtivo é o México, justamente onde se contam menos feriados nacionais. Já Suécia e França, dois dos mais produtivos, possuem apenas uma folga a menos que o Brasil e quatro a mais que o México.

Aliás, o ranking da OCDE indica que nem feriados, nem o número de horastrabalhadas são medidas confiáveis quando se trata de produtividade.

Uma outra leitura da situação defende que o problema do Brasil não está no número absoluto de feriados, mas nas pontes que se criam quando as datas comemorativas caem em uma terça, quarta ou quinta-feira.

Recentemente, a Argentina acabou com as emendas por meio de um decreto do presidente Maurício Macri. Assim, todos os feriados que coincidirem com o meio de semana serão transferidos para a segunda-feira. A decisão não ficou isenta de críticas de quem acredita que muitos feriados perdem o sentido se celebrados em datas diferentes.

Seja como for, quando partir para o próximo fim de semana prolongado e escutar aquele desabafo tradicional do “como tem feriado no Brasil”, lembre-se que não somos os únicos e que, provavelmente, nossas respostas para o aumento da produtividade e aquecimento da economia do país não estão, necessariamente, na redução dos dias que descansamos.

Então, bom feriado!

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Focaccio

Consultor de comunicação e produtor de conteúdo, eleito Top Voice do LinkedIn em 2019. Já atuei como assessor de imprensa, social media, community manager, editor de conteúdo e BI. Trabalhei em grandes agências de Relações Públicas e Marketing Digital onde aprendi a resolver problemas em pouco tempo, a correr riscos e a produzir conteúdo com o menor tempo e custos possíveis. Há dois anos decidi trabalhar como profissional independente para empresas e executivos. No último ano realizei trabalhos para grandes empresas como Facebook (Ideal H+K) e LinkedIn (In Press Porter Novelli) e dei treinamentos para empresas como Grupo Boticário, Whirlpool, J&J Medical Devices, Cultura Inglesa, entre outros.

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