Você pode não acreditar: sua superstição tem razão de existir

Está chegando a hora. Cueca amarela, comer lentilha, pular ondas e ver o Roberto Carlos de roupa azul.

Embora a superstição sempre esteja em nossas vidas direta ou indiretamente, é nessa época do ano que ela fica mais visível.  Mas por que essas manifestações são tão comuns?

A primeira palavra que vem quando nos deparamos com um ato supersticioso – como alguém que repete o mesmo ritual antes de uma ocasião importante – é irracionalidade. A superstição é, via de regra, uma atitude que não tem qualquer evidência científica ou comprovação empírica.

Por exemplo: tente explicar usando apenas a razão por que uma ferradura pode atrair sorte.

Quando foi perguntado sobre o poder de boa aventurança de uma ferradura pendurada em sua casa, o prêmio Nobel de física Niels Boer vaticinou: “É claro que não acredito. Mas entendo que ela é um objeto de sorte, se você acredita ou não”.

Barack Obama se tornou um célebre supersticioso. Cultivou o hábito de jogar basquete a cada primária da eleição americana desde quando fez isso e venceu a disputa inaugural, em Iowa. Você pode chamar de ritual ou de simpatia, mas vamos combinar que todas elas são parentes de primeiro grau da superstição.

Se a superstição é presente na ciência e na política, no futebol ela é inescapável. A imagem que ilustra esse texto mostra um torcedor do Sport paramentado com uma série de amuletos (pimenta, sal grosso, arruda) para evitar o rebaixamento do seu time do coração que, diga-se, funcionou. A vitória do Leão e a combinação de resultados favoráveis manteve a equipe na Série A do campeonato brasileiro na última rodada.

Ainda que o gênio Stevie Wonder cante em um dos seus maiores clássicos que a superstição não é o caminho para aquilo que não entendemos, estudos mostram que há uma razão para ela existir. O biologista de Harvard, Dr. Kevin Foster, explica que todos os animais possuem comportamentos com uma relação de causa que não existe. Como o exemplo do pombo que foge tanto de um disparo de arma de fogo quanto de uma batida de palma. Só o primeiro pode matá-lo, mas seu aprendizado evolutivo converteu-se em um comportamento adquirido por segurança. Na dúvida, é melhor decolar.

Em um mundo cheio de incertezas, a superstição é uma reação natural frente aos acontecimentos que não podemos prever

Segundo Bruce Hood, psicólogo da Universidade de Bristol “humanos nascem com cérebros desenhados para dar sentido ao mundo. Isso muitas vezes leva a crenças bem além de uma explicação natural”.

Se na pré-história a superstição estava ligada à sobrevivência frente a um predador ou a eventos climáticos – como uma dança para a chuva cair na época certa – hoje, um emprego novo, uma promoção, um aumento ou até mesmo a felicidade no amor pode ser atribuída ao alinhamento dos planetas previsto pelo horóscopo ou pela cor da roupa íntima que você usou na virada do ano. A mesma lógica, ou falta dela, pode ser utilizada para eventos negativos.

No fundo, a superstição é uma expressão que nos faz lembrar de nossa vulnerabilidade, que somos mortais e nem sempre capazes de explicar o imponderável que, em qualquer época e lugar, está presente em nossas vidas. E a regra vale até mesmo quando se trata das pessoas mais céticas.

Fernando Pessoa escreveu: “esperar pelo melhor e preparar-se para o pior: eis a regra”. Talvez nossa superstição seja apenas uma forma de responder ao aforismo do poeta.

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Focaccio

Consultor de comunicação e produtor de conteúdo, eleito Top Voice do LinkedIn em 2019. Já atuei como assessor de imprensa, social media, community manager, editor de conteúdo e BI. Trabalhei em grandes agências de Relações Públicas e Marketing Digital onde aprendi a resolver problemas em pouco tempo, a correr riscos e a produzir conteúdo com o menor tempo e custos possíveis. Há dois anos decidi trabalhar como profissional independente para empresas e executivos. No último ano realizei trabalhos para grandes empresas como Facebook (Ideal H+K) e LinkedIn (In Press Porter Novelli) e dei treinamentos para empresas como Grupo Boticário, Whirlpool, J&J Medical Devices, Cultura Inglesa, entre outros.

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