Escolha bem as brigas que você vai comprar

Não sejamos hipócritas. A Internet é feita de tretas porque a vida é cheia delas. Discutimos por política, futebol, religião, música, séries e até se é crime pizza levar ketchup. Mas como não se perder em meio a tanta discussão?

Calma, não pretendo inflamar ainda mais os ânimos nem estimular novos confrontos. Apenas lanço uma constatação. Não pensamos igual e, para piorar, algumas plataformas das redes sociais não ajudam quando, baseadas em dados dos usuários, oferecem conteúdos cada vez mais extremados e que acirram a polarização.  

Quero usar a palavra briga como um sinônimo de pensamento mais ação. Há causas e ideais que não precisamos abandonar só para parecer gentis. Não está morto quem peleia. Só é preciso ter cuidado para escolher a briga que você vai comprar.

E atenção! Ainda que os conteúdos sejam diferentes em cada rede social, é quase impossível traçar um limite entre sua persona pessoal e a da sua carreira.

O que você publica pode ajudar a divulgar sua marca profissional e ao mesmo tempo lançá-lo para longe do seu emprego ou cliente. Então, não adianta conquistar seu trabalho no LinkedIn para depois perder pelo Facebook.

Tenho prestado atenção para não entrar em debates inúteis. Cada vez mais, procuro evitar conversas, assuntos, influenciadores e até mesmo ferramentas (alô, grupos de WhatsApp) que desperdiçam tempo e vontade de potência, como diria Nietzsche.

Isso porque errei muito. Então é possível que tenha aprendido alguma coisa para compartilhar e, quem sabe, evitar que você gaste energia à toa e perca o foco no que realmente importa.   

Priorize

Se há um verbo que você pode carregar junto com o celular é “priorizar”.

Estabeleça suas prioridades em suas leituras das redes sociais e nos debates que vai encarar. Todas as plataformas possuem um botão que permite selecionar quem você vai ver em sua linha do tempo.

Há grandes questões que precisam movimentar o mundo hoje: diversidade, tolerância, meio ambiente, educação, inteligência artificial etc.

Se eu fosse presidente do planeta, reduziria a desigualdade social por decreto e oferecendo renda mínima para quem tem muito pouco, especialmente em lugares onde ela é tão gritante quanto no Brasil. Como não sou, essa é uma briga que não dispenso.

O que você faria se fosse presidente do mundo?

Rede social não é um universo paralelo

Na Internet a sensação de anonimato ou distância faz com que fique mais fácil qualquer discussão descer ao subsolo do inferno.  

Muita gente carrega o nome da sua empresa na bio, mas não conhece ou ignora a cultura e os valores do seu empregador. Exemplo: não são poucos os casos de funcionários de marcas que prezam pela diversidade em suas campanhas e que emitem comentários homofóbicos, misóginos ou racistas.

Empresas e gestores, lembrem-se: treinamentos de comunicação são fundamentais porque evitam crises desnecessárias, vão economizar seu tempo no futuro e não precisam ser restritos apenas aos porta-vozes oficiais e líderes.

O silêncio é ouro

Um dos efeitos ruins da tecnologia foi produzir um exército de gente carente e doida para que alguém note sua existência. Não seja essa pessoa e, principalmente, ao ser abordado por elas, use o controle remoto das redes sociais: o silêncio.  

Se você está em uma rede profissional, um comentário atravessado para um corneteiro virtual pode indicar ao público que sua inteligência emocional é tão pequena quanto os pratos caros dos restaurantes da Vila Olímpia. Há também quem vai adorar se você perder a paciência e se prejudicar.

Ao dar notoriedade para quem não merece deixamos em segundo plano pessoas que realmente podem acrescentar com comentários e críticas pertinentes.

Tem gente que lucra com nossas brigas

Você já deve estar cansado de ler e ouvir que o mundo está inundado de informação. Uma das consequências é desviar a nossa atenção para as coisas que realmente importam.

Quantas vezes esse ano você já leu que um político recuou sobre o que havia dito um dia antes? Eles podem voltar atrás, dizer que não era bem  isso. Mas o tempo que passamos discutindo essas declarações não volta.

Você pode e deve se manifestar contra absurdos, mas lembre-se: a) não deixe que isso o desestimule ou o desvie de suas obrigações diárias; b) o estresse pode minar sua produtividade; c) não bata palma pra louco dançar (ver item anterior).

Enquanto os cães ladram, a caravana passa

Terra plana, nazismo de esquerda, negação do aquecimento global. São tantas discussões absurdas e/ou inúteis que se a gente entrar em todas vamos brigar até nossas casas inundarem com o derretimento das calotas polares e a elevação do nível do oceano.

A ascensão da ignorância precisa ser combatida, é óbvio. Mas, acredite: se você passar horas, com didatismo e serenidade, tentando convencer um terraplanista de que nosso planeta é arredondado por conta da ação da gravidade, você só vai perder tempo e paciência.

Cuidado com os falsos profetas

Busque o conhecimento, mas não esqueça de checar as fontes, pesquisar, confrontar análises. Com as redes sociais, cada usuário se tornou editor de seu próprio conteúdo e também é responsável pelas brigas que escolhe participar.

As informações se tornaram mais democráticas. A parte ruim e que também facilitou a vida de picaretas.

Lembra da Betina? Aquela do vídeo que é estelionato com verniz de propaganda e que tomou de assalto várias plataformas digitais. Todo mundo (ou quase) percebeu que era engodo.

Só que repelente de mosquito não evita mordida de tubarão. Não adianta ser esperto com a Betina quando tem economista e analista que há anos garante uma retomada da economia que ainda não chegou. O desemprego continua gigantesco, o crescimento da economia segue revisado para baixo e você vai passar o dia inteiro preocupado com a Betina?

Será que a Betina não surgiu por que ganhar dinheiro nunca foi tão difícil?

Há muita Betina por aí lucrando com propaganda enganosa, notícia falsa e conhecimento vazio.

Não entre em uma briga em nome de um santo de barro ou de uma causa furada.

Não deixe que pequenas diferenças atrapalhem grandes objetivos

Hoje qualquer divergência pode criar inimigos. Lembre-se que para combater os nazistas e defender seu povo, Churchill precisou se juntar ao exército de Stálin, de quem ele não era exatamente um fã.

Priorizar os temas mais importantes como salvar o planeta do caos climático e proporcionar oportunidades para todos precisam ser comuns a quem deseja viver em um mundo melhor. Você não deve achar que todo inimigo do seu inimigo é seu amigo, mas não deixe que qualquer discordância vire um obstáculo para conseguir aquilo que realmente importa.  

Invista mais tempo em grandes problemas, não em pequenas divergências.

Enquanto o beija-flor e o sabiá brigavam se era melhor apagar o fogo com balde ou esguicho, a floresta queimou.  

Leia outros artigos meus publicados no LinkedIn

Focaccio

Consultor de comunicação e produtor de conteúdo, eleito Top Voice do LinkedIn em 2019. Já atuei como assessor de imprensa, social media, community manager, editor de conteúdo e BI. Trabalhei em grandes agências de Relações Públicas e Marketing Digital onde aprendi a resolver problemas em pouco tempo, a correr riscos e a produzir conteúdo com o menor tempo e custos possíveis. Há dois anos decidi trabalhar como profissional independente para empresas e executivos. No último ano realizei trabalhos para grandes empresas como Facebook (Ideal H+K) e LinkedIn (In Press Porter Novelli) e dei treinamentos para empresas como Grupo Boticário, Whirlpool, J&J Medical Devices, Cultura Inglesa, entre outros.

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